O socialista François Hollande é o novo presidente da França. No segundo turno da eleição presidencial francesa, realizada neste domingo, o oposicionista Hollande derrotou Nicolas Sarkozy, que tentava permanecer no cargo. Até então, apenas François Mitterand, em 1981 e 88, havia sido eleito presidente da França pelo Partido Socialista.
As estimativas iniciais apontavam Hollande vencedor com 51,8% dos votos. O voto não é obrigatório na França, mas mesmo assim o comparecimento às urnas beirou os 72% dos eleitores. Favorito em todas as pesquisas, o socialista chegou a ter vantagem estimada em 10%, mas a diferença foi reduzida nos últimos dias da campanha.
Menos de uma hora após o fechamento das urnas, Sarkozy fez um discurso em que assumiu a derrota e revelou o desejo de se afastar da vida pública. No pronunciamento, cumprimentou o eleito e agradeceu os franceses pelos cinco anos em que comandou o país.
Às 16h25, horário de Brasília, Hollande fez o primeiro pronunciamento como vitorioso. O novo presidente iniciou o discurso de 14 minutos prometendo que "nenhuma criança da República será discriminada", uma clara alusão às propostas da direita política que estabelecem direitos diferentes para filhos de franceses e os de imigrantes.
A primeira manifestação pública de Hollande ocorreu em Tulle, seu berço político e localidade próxima à Paris.
Na véspera, Hollande afirmou que o país voltaria a ter um grande governo, "como foi o de Mitterrand" e que ele só conseguiu atingir o atual protagonismo político graças a Lionel Jospin, outro emblemático líder socialista, "que foi o responsável por um ciclo de prosperidade, empregos e crescimento econômico".
Primeiro-ministro no período entre 1997 e 2002, quando o presidente da França era o centro-direitista Jacques Chirac, Jospin candidatou-se a presidente, mas nem foi ao segundo turno. Em um resultado que surpreendeu o país, ele foi superado pelo ultradireitista Le Pen, da Frente Nacional.
As primeiras manifestações dos opositores de Hollande foram simpáticas ao novo eleito. Candidato da esquerda e dono de 11% dos votos no primeiro turno, Jean-Luc Mélenchon desejou "o melhor ao vencedor e a nosso país". E fez uma advertência: "sua vantagem lhe dá meios para agir".
A ultradireitista Marine Le Pen, que recebeu 17,9% dos votos no primeiro turno, exortou " todos os patriotas, de direita e de esquerda, a contornar suas divisões". Ela aproveitou também para criticar o presidente Sarkozy, a quem atribuiu total responsabilidade pela derrota.
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