Fábio Piperno
Perto de completar 36 anos, a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek está longe de ser caso encerrado. No dia 22 de agosto de 1976, JK morreu em um acidente na Rodovia Presidente Dutra, perto do município de Resende, no interior fluminense. Na versão oficial, o Opala em que o líder político viajava foi fechado por um ônibus da Viação Cometa e chocou-se contra uma carreta após perder a direção.
Passadas três décadas e meia do desaparecimento do fundador de Brasília, as explicações e os laudos oficiais fornecidos pelo governo militar não foram suficientes para dissipar as suspeitas que rondam as circunstâncias da morte de JK.
Convictos de que o regime dos militares guardou muito bem os segredos que poderiam esclarecer as dúvidas não esclarecidas sobre o acidente da Dutra, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Seção Mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) entregarão à Comissão da Verdade um dossiê com motivos que embasariam a reabertura dos arquivos e das investigações sobre o caso.
O presidente da Comissão, o advogado William Santos lista uma série de omissões e contradições no inquérito feito à época, como a falta de depoimentos das testemunhas, perícia no ônibus feita só depois de dois dias após o acidente e o laudo da exumação do corpo de Geraldo Ribeiro, o motorista do Chevrolet Opala em que Juscelino viajava. "Havia uma perfuração do lado direito do crânio, que seria de um projétil de bala. Mas foi dito que seria de um prego do caixão", diz o advogado em entrevista ao editor do bandnewstv.com.br, Fábio Piperno.
A morte de Juscelino não foi a única que despertou suspeitas naquele período político. Apenas quatro meses depois, o ex-presidente João Goulart morreu logo após ser internado para exames de rotina. Em maio de 1977, o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, outra importante liderança que perdeu os direitos políticos durante o ciclo militar, também faleceu. Os três organizavam a Frente Ampla, um movimento que pretendia o retorno do país à normalidade institucional.
Ouça a íntegra da entrevista do advogado William Santos.
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