Isabela Tacaki
O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, esteve presente no 1º Seminário Econômico da Fiesp organizado pelo Lide (grupo de Líderes Empresarias), nessa quarta-feira (04). O tema discutido foi "Agenda Brasil: Proposta para o avanço acelerado do país".
A crise na Europa, maior preocupação do mercado nos últimos meses, foi assunto citado em vários momentos da palestra.
Mantega afirmou que embora os europeus tenham se reunido no último fim de semana para tomar as medidas de combate a crise, os problemas não serão resolvidos facilmente.
A lentidão dos líderes da Europa agravou ainda mais a situação economica no continente, afirmou o ministro, que até os caracterizou como "lentos em agir". "Eles só resolvem na beira do precipício. Resolveram os problemas dos bancos, mas faltam muitos outros problemas", completou.
Mantega ainda comparou a atual crise com a turbulência econômica ocorrida em 2008. A surpresa é que, na opinião do Ministro, esta é ainda pior. "Essa é mais intensa por que só vai aumentando aos poucos".
A questão é, com o alto índice de desemprego na Europa, baixo crescimento nos Estados Unidos e China, qual entre tantos fatores é o que mais afeta no Brasil?
A resposta justifica o encontro realizado entre os empresários. A produção industrial já mostrou este reflexo com dados anúnciados na última terça-feira pelo IBGE. A queda foi de 0,9% em comparação com o último mês de abril, o que representa maior queda nos últimos 32 meses, ou seja, desde a última crise mundial.
De acordo com Mantega, com as grandes potências não demonstrando dinâmismo ao mundo, influencia diretamente todos os países. Ainda sobre a crise, a notícia boa é que o ministro acredita que na América Latina o Brasil é o país menos afetado. "Hoje temos condições melhores de enfrentá-la do que em 2008. A perda foi de 0 a 1% de crescimento".
Mesmo com os estímulos aplicados pelo governo recentemente, a queda da produção industrial anda na contramão do objetivo do país. Mas Mantega garante que estamos com o menor juros das últimas décadas com a nova política monetária.
Entre as proposta que faz jus ao tema do seminário está na reforma do sistema tributário. O presidente do Lide Economia, Paulo Rabello de Castro, foi quem fez o alerta para os 400 empresários presentes no evento. "Vamos pressionar o governo para colocar em ação o projeto, abaixar o máximo de ICMS".
O presidente do Lide, João Dória Jr, acredita que essa virada de semestre é um momento importante na economia brasileira.
Assista a entrevista que a âncora do site bandnewstv.com.br fez com João Dória Jr.:
No debate que ocorreu no fim do evento, o presidente do conselho consultivo da Nestlé Ivan Zurita, questionou o ministro que sente falta da atenção do governo no setor alimentício.
Em resposta, Mantega garantiu que o segmento tem tido uma atenção especial.
Confira a entrevista com Ivan Zurita:
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