Mundo: Banco britânico tem perda recorde após acusação de ligação com o Irã

Quarta-feira, 08 de agosto de 2012 - 09h42

Fábio Piperno, de Londres

A City londrina contabiliza as perdas causadas pelo terromoto que tem como epicentro as supostas ligações de um banco britânico com grupos armados do Oriente Médio.

As acusações de colaboração e de milhares de transações financeiras feitas com o Irã pelo banco britânico Standard Chartered causaram grandes prejuízos para a instituição. Nesta terça-feira, as ações do banco desabaram 16%, a maior queda da história para um único dia.

O StanChart é acusado por organismos reguladores do sistema bancário de New York de ser uma grande lavanderia de dinheiro do Irã, destinado a irrigar ações de grupos como o Hezbollah e o Hamas. O banco nega.

Com sede em Londres, o StanChart tem forte atuação nos mercados emergentes. Cerca de 90% das operações das instituição ocorrem em países da Ásia, Oriente Médio e África. De acordo com os reguladores americanos, em uma década o banco realizou cerca de 60 mil transações com Irã, que teriam movimentado perto de 160 bilhões de libras.

O foco direcionado aos mercados emergentes proporcionou nos últimos anos resultados expressivos ao StanChart, que passou sem grandes turbulências pelo período mais agudo da crise desencadeada pela quebra do Lehmann Brothers.

A edição desta quarta-feira do tradicional Financial Times relata que a acusação feriu os brios nacionalistas da City londrina. "Devemos ter muito cuidado para que o correto desejo de encontrar os equívocos não se torne um pretexto para ataques protecionistas e ao status de Londres como um importante centro financeiro mundial", afirmou Boris Johnson, prefeito da capital britânica e liderança em ascensão do Partido Conservador.

A avaliação é a mesma no Partido Trabalhista, principal sigla de oposição. "Identificamos um crescente preconceito antibritânico pelos reguladores americanos e o desejo de transferir negócios da City para Wall Street", disse o trabalhista John Marin, que também é Membro do Comitê do Tesouro.

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